Índice do fórum » Projetos » Cérebro
| Autor | Mensagem |
|---|---|
| joshazze Administrador Registrado em: Fev 2026 Mensagens: 13 Localização: Belo Horizonte |
Enviado em: 09 Ago 2026
Assunto: Cérebro
ContextoSeu assistente esquece tudo quando a sessão fecha. Amanhã ele não sabe qual decisão foi tomada hoje, qual erro já custou três horas de depuração, nem que você detesta responder duas vezes a mesma pergunta. A saída óbvia é escrever um arquivo de instruções. Funciona por uma semana. Depois o arquivo tem trinta mil bytes, e aí você descobre a parte cara: o que entra no início da sessão é reenviado em cada turno. Você não paga uma vez por aquele arquivo. Você paga por ele em toda mensagem que trocar até fechar a janela. Foi o que aconteceu comigo. A primeira versão do meu cérebro despejava conteúdo, e custava 426 KB por sessão. Todo turno. O que eu fizTroquei conteúdo por endereço. O acervo virou um vault de markdown organizado como grafo, uma nota por assunto, com wikilinks ligando o que se relaciona. O que entra na sessão não é o acervo, é um índice que entrega caminhos, não conteúdo: uma linha por arquivo, dizendo do que ele trata e onde está. O assistente lê o índice, decide o que interessa para a conversa de hoje, e abre só aquilo. A manutenção do grafo (quem cita quem, quais notas viraram centro por acumular backlinks, quanto custou a última sessão) roda em shell, antes do primeiro prompt. Zero token gasto para manter a casa arrumada. Como funcionaO índice é o produto inteiro, e ele tem um orçamento. Cada linha precisa ser específica o suficiente para o assistente decidir se abre o arquivo, e curta o suficiente para caber. É uma restrição de compressão com uma métrica óbvia: quantos saltos o assistente precisa dar para chegar da porta de entrada até a informação. Num vault de 183 notas em produção, o grafo tem caminho médio de 2,70 saltos entre duas notas quaisquer, e 97% do acervo está a dois saltos do índice. Isso não é enfeite de relatório: é a garantia de que abrir um arquivo quase sempre resolve, e abrir dois sempre resolve. A manutenção tem seu próprio número. O laço ingênuo que descobre backlinks comparando cada nota com todas as outras levava 1,9 segundo em 260 notas. A versão que lê só o corpo e indexa uma vez leva 20 milissegundos. Um instalador separado monta tudo em dez a quinze minutos: você cola um link no assistente, ele pergunta cinco coisas numa mensagem só (onde fica o vault, seu nome, sua stack em uma linha, se quer registro de gasto, se estuda), instala as camadas, verifica e termina explicando o que você digita amanhã. O que aprendiMemória de assistente é problema de orçamento, não de armazenamento. Guardar é barato e sempre foi. Markdown em disco não custa nada, e a tentação é guardar tudo e mandar tudo, porque tudo pode ser útil. O que custa é o que você reenvia, e reenviar é justamente o que a arquitetura ingênua faz por padrão, em silêncio, em todo turno. A conta só aparece no fim do mês. Quando eu tratei isso como orçamento, a pergunta mudou de "o que o assistente precisa saber" para "o que cabe em mil tokens fixos, e como o resto fica alcançável". As duas perguntas têm respostas completamente diferentes, e só a segunda escala. A outra lição foi sobre medir. Eu podia ter escrito que a arquitetura é eficiente, e ninguém ia conferir. Medir o caminho médio no grafo, o alcance em dois saltos e o tempo da manutenção transformou opinião em número, e o número é o que sobrevive quando outra pessoa avalia se vale a pena adotar. Escrevi trinta e uma páginas de método e figuras por isso. Resultados
|
« Tópico anterior: Atlética Ibmec BH Próximo tópico: Fernando Pessoa »