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joshazze Administrador Registrado em: Fev 2026 Mensagens: 19 Localização: Belo Horizonte
Enviado em: 22 Out 2026 Assunto: detector-ia
Resumo
Detector de texto gerado por IA que separa prova de estimativa
Stack
PythonstdlibestatísticaUnicode
Competências
estatística aplicadasegurançaavaliação de modelosPT-BR

Contexto

Os detectores de texto de IA mais conhecidos, como GPTZero e ZeroGPT, entregam uma porcentagem só, que mistura dois tipos de evidência bem diferentes sem dizer qual pesou mais. É assim que estudantes que escreveram o próprio texto acabam acusados de cola.

Um tipo de evidência é a marca d'água: um sinal deixado de propósito no texto no momento da geração. Encontrá-la é prova. O outro é estatística de estilo, como ritmo das frases, vocabulário e pontuação. Estilo sugere, mas não prova autoria, porque há pessoas que escrevem de forma regular e há IA que escreve de forma irregular.

O que eu fiz

Uma ferramenta de linha de comando que dá uma nota de 1 a 100 e diz de onde ela veio. Se encontrou marca d'água, a nota é rotulada como prova e fica entre 97 e 100. Se a nota vem só do estilo, o rótulo é estimativa e o teto é 96. Estilo nunca dá 100.

Python puro. Roda em milissegundos.

Como funciona

São três camadas.

A primeira procura sinais escondidos em Unicode: caracteres de largura zero, seletores de variação usados para esconder bytes em emojis, caracteres de tag, controles bidirecionais e letras de alfabetos diferentes misturadas dentro da mesma palavra. Havendo mensagem escondida, o relatório a mostra. Usos legítimos são descartados antes, como o caractere que une emojis de família ou o que é obrigatório na escrita persa.

A segunda testa as marcas d'água estatísticas publicadas na literatura: a green list de Kirchenbauer, o esquema de Aaronson e o SynthID-Text, que a DeepMind abriu em 2024. Cada teste devolve um p-valor exato e é comparado com o mesmo teste rodado com chaves falsas no mesmo texto. Esses três esquemas têm um limite que nenhum detector contorna. Só funcionam com a chave.

A terceira analisa o estilo com 67 características calibradas para o português do Brasil, como variação no tamanho das frases, conectivos no início de frase, enumerações em três e tipo de aspas.

O que aprendi

Medi a ferramenta num corpus de 205 textos em português, em que os humanos vieram de revisões da Wikipédia anteriores a 2021, para garantir que fossem anteriores aos modelos de linguagem. Os textos de IA foram escritos sobre os mesmos temas, porque com temas diferentes o classificador aprende a separar assunto e não autoria.

O resultado geral é bom. O ponto fraco também ficou claro: um texto de IA revisado para soar humano tirou nota 3. A análise de estilo sozinha não pega IA bem editada, e a próxima etapa é usar um modelo de linguagem pequeno, rodando localmente, para medir a probabilidade do texto.

Hoje ela também tem um modo de autoria, que em vez de dar só a nota aponta a linha de cada problema de estilo e sugere a correção. Os textos deste site passam por ela antes de serem publicados.

Resultados

  • AUC de 0,964 no corpus completo e de 0,891 em textos de 100 palavras.
  • Com falso positivo travado em 5%, a sensibilidade é de 76%; com falso positivo em 1%, cai para 29%.
  • 45 testes automáticos e zero dependências externas.
  • Limitação declarada: todos os textos de IA do corpus vieram do mesmo modelo, então esses números tendem a ser otimistas.
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Escrito e mantido por J. A. Distel.