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| joshazze Administrador Registrado em: Fev 2026 Mensagens: 13 Localização: Belo Horizonte |
Enviado em: 18 Ago 2026
Assunto: Viés linguístico em material didático gerado por LLM
ContextoA literatura brasileira de IA em educação tem um formato quase único: pegar um modelo, aplicar uma prova, reportar que ele acertou 73% das questões. É útil e é raso. Quase ninguém cruza duas coisas que interessam a quem dá aula em português: o viés linguístico do texto gerado, e a arquitetura do prompt como variável que se pode escolher. Era o buraco que eu queria ocupar. A orientação é do Prof. Osmar Ventura Gomes, que é da área de algoritmos, não de IA aplicada nem de estatística, então o protocolo foi escrito para ser auditável por quem não convive com LLM: glossário curto e justificativa explícita de cada decisão metodológica. Uma exigência dele mudou o texto inteiro logo no começo. Onde eu escrevia "pedagógico", passou a ser "didático", porque no ensino superior brasileiro a distinção entre prática docente e formação do educador não é sinônimo. O que eu fizUm fatorial de três vias. Arquitetura em quatro níveis (one-shot, few-shot, RAG sobre o material da própria disciplina, agente com memória persistente), modelo, e disciplina em três perfis epistêmicos distintos: programação orientada a objetos, estatística e ciência de dados. Cada célula replicada, 192 amostras de material didático geradas e medidas. Seis variáveis resposta, três automáticas e três humanas. As automáticas: percentual de inglês não traduzido por dicionário técnico, distância léxica contra um corpus de PT-BR técnico via embeddings, e inversão de notação anglo-saxã, aquele ponto que vira separador decimal no meio de uma tabela em português. As humanas eram rubricas de 0 a 5 para neutralidade cultural, cobertura curricular e alucinação factual, com um subconjunto anotado em duplo para calcular concordância. Sobre isso rodou ANOVA fatorial com correção de Bonferroni. A versão 1.0 foi entregue em 30 de maio de 2026, com um achado que me pareceu bonito: viés lexical e viés cultural apareciam como dimensões dissociadas, correlação perto de zero. O que aprendiEm 12 de agosto eu auditei o próprio artigo antes de submeter. Achei oito fragilidades. Três eram graves o bastante para matar o texto. A primeira: uma das referências não existia. Estava formatada, plausível, no lugar certo do argumento, e não correspondia a nenhum trabalho real. A segunda: o pipeline não era reprodutível em 84 das 192 amostras, porque o índice das combinações era derivado de hash e não sobrevivia a uma re-execução. A terceira era a mais desconfortável, porque não era erro de código, era erro meu de leitura estatística: eu escrevi que "o RAG zerou as inversões de notação" apoiado num p de 0,0704. Isso não rejeita nada. E o achado central da v1.0, as duas dimensões dissociadas, tinha o mesmo defeito de fundo: não rejeitar a hipótese nula não é prova de independência, é ausência de evidência. Eu tinha transformado um teste que não deu em uma descoberta. Junto veio o resultado que eu mais queria que fosse verdade e não era. O painel de juízes-LLM que eu montei para pontuar neutralidade cultural teve concordância intraclasse perto de zero. Cinco modelos julgando o mesmo texto não concordavam entre si mais do que sorteio. Um juiz automático que ninguém mediu é um gerador de números, não um instrumento. Cortei o artigo. Não revisei, cortei. Resultados
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